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Diariamente mulheres salvam bebês prematuros nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva)

sem nem conhecer esses recém-nascidos. São doadoras de leite materno que permitem que essas crianças recebam o alimento mais importante no momento em que estão fragilizadas. 

"O leite artificial não tem os anticorpos que o materno tem. É isso que vai ajudar na defesa do organismo da criança para evitar, por exemplo, uma infecção", explica o médico Corintio Mariani Neto, diretor da maternidade estadual Leonor Mendes de Barros, no Belenzinho (zona leste de SP). A unidade é referência em banco de leite na região e abastece, inclusive, hospitais particulares de São Paulo. 

Ele comenta que um banco de leite dentro de uma maternidade é tão importante quanto um de sangue em um hospital. Segundo o médico, os recém-nascidos dependem desse leite para sobreviver. "A maioria das crianças é alimentada por sonda já que muitos estão entubados ou ainda não aprenderam a sugar diretamente no peito", diz. 

O médico explica que qualquer mulher saudável que amamenta pode doar e que não há preocupação de faltar o leite para o seu próprio bebê. "Quando mais você tira, mais você produz", explica. 

A dona de casa Louise Carvalho do Couto, 22, diz que nos primeiros dias após o nascimento do filho Luiz Guilherme, hoje com pouco mais de dois meses, sentia os seios inchados e doloridos. "Também vazava muito leite", conta. 

Ao se informar, ela descobriu que o leite poderia ser doado. Ela procurou um banco de leite próximo de sua casa, em Santa Catarina, e começou a ordenha quando o filho tinha apenas cinco dias de vida. "É gratificante ajudar outros bebês. Não importa quem são nem onde estão. São meus "filhos de leite", diz Louise. 

Ela conta que uma vez por semana o leite é retirado na sua casa pelo próprio hospital, que fornece todo o material que ela precisa para tirar e armazenar o leite. "Chego a doar quatro litros por semana. Não perco nem 20 minutos por dia para tirar", explica. Louise diz que pretende doar durante todo o tempo que amamentar seu filho. As doadoras de leite podem fazer a ordenha manualmente ou com o uso de bombas. 

Já a vendedora Regiane Eli dos Santos Costa, 29, é uma das beneficiadas pelas doações. Ela conta que teve sua filha quando estava grávida de 26 semanas. "Fiquei um mês de repouso, mas ela acabou nascendo bem antes com 1,3 quilos e 38 centímetros", conta a mãe de Isadora, hoje com quase quatro meses. 

A menina, que ainda está internada na maternidade estadual, deve ter alta nos próximos dias, assim que aprender a mamar. "Quem doa tem um coração imenso. Sou grata por cada uma que doou leite para alimentar a minha filha nesses meses. Se pudesse, abraçava e beijava cada uma delas", conta Regiane. "Não existe nada melhor do que o leite materno para a criança crescer saudável." 

De acordo com o Ministério da Saúde, a alimentação exclusiva por leite humano é indicada até os seis meses de idade e, como complemento a outros alimentos, até os dois anos de idade. 

Fonte: Folha de São Paulo